Por Luis Augusto Sinisgalli

HARAS DO MOSTEIRO

Fundei o Haras do Mosteiro sem querer como a maioria dos criadores em uma chácara que temos até hoje Renata e eu, na cidade de Indaiatuba. Comecei comprando éguas de baixa qualidade, produtos de descarte de outros criatórios. Logo nas primeiras participações em exposições percebi que estava no caminho errado e decidi fazer um investimento um pouco maior comprando dois animais que mudaram na ocasião o meu rumo.

Um deles foi o Huno da Ponte Pequena e a outra foi à égua que me deu tudo que produzi de mais importante no criatório, a Favorita de Fantasia. Na ocasião comprei outros animais muito bons, mas que nunca geraram nenhum produto muito importante.

Favorita sim, produziu 12 produtos muito bons entre eles a Garota, a Imperatriz, a Fantasia, a Justiça, a Joaninha e a Lua. Hoje eu a tenho em parceria com o Haras HR de Alagoas. O ponto de virada no Haras foi quando em parceria com meu amigo Antonio Macedo Filho, adquiri as primeiras coberturas do O. P. de Santa Rita.

A partir daí o padrão da tropa mudou e nós passamos a ser competitivos no Estado de São Paulo. Muitos investimentos foram feitos ao longo destes 14 anos e hoje estão dando novos rumos ao criatório.

Criamos a tradição dos leiloes a campo e já estamos no IX, todos realizados na nova sede do Haras em Itu. Isso nos trouxe a visão do produto que o mercado consumidor procura. Os compradores de meus animais são em sua maioria usuários que procuram um cavalo bonito e cômodo. Assim passamos a focar neste produto voltado para cavalgadas.

Há que ser um cavalo dócil, pois é frequentemente montado por crianças e cavaleiros inexperientes, deve ser bom de aprumos e proporcional, perto do chão e compacto, pois só assim terá boa marcha. A marcha deve ser de centro ou picada, ou ainda a batida boa, com boa dissociação. As pelagens exóticas são muito valorizadas. Com estes conceitos evidentemente desloquei o eixo do criatório voltando-o muito mais para o mercado comprador do que para a disputa pelo melhor selecionamento genético.

Hoje nossa base é constituída de 40 éguas sendo 06 doadoras de embriões. Nossos garanhões são o Prelúdio da Palmeira (em condomínio com Sr. Nelson Grassi) e Ícaro da Glória, animais que me agradam muito em estrutura corpórea e andamento. Este ano entrarão em produção o Laredo Mosteiro e Hispânico do Haras Rosso (este condomínio com o Haras Luanda e Haras Rosso).

Estaremos doravante criando o cavalo campolina dócil, compacto, de andamento cômodo. É nosso objetivo desenvolver ao máximo nossa mão de obra para adestrar cavalos para cavalgadas e também para as pistas.

Nosso Haras hoje recebe muitos cavaleiros que vem nos procurar para comprar ou alugar cavalos, promovemos muitas cavalgadas regionais e a distancia, e para melhor Receber estes cavaleiros construímos alguns chalés e um restaurante com comida caseira.

Faço questão de montar pessoalmente todos os meus animais seja no Haras, seja nas cavalgadas, ou seja, nas pistas; pois só assim sou capaz de avaliar a comodidade e decidir sobre a reprodução voltada para o andamento cômodo.

Luis Augusto Mello Sinigalli
04.07.200
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ENTREVISTA com o cavaleiro Luis Werneck

( L. Werneck )

Ele está conhecendo o Brasil a cavalo, faz cavalgadas montando cavalos de diferentes raças, visita haras e fazendas, cavalga por vários estados do País. E está sendo um paradigma para os jovens e os menos jovens nas cavalgadas e viagens a cavalo.

Luis Werneck, 62 anos, é um cavaleiro com considerável quilometragem, tendo ultrapassado 6.000 km nos últimos tres anos. Participa de vários tipos de cavalgadas, sejam as ‘ações ente amigos’, as ‘programadas por um Haras ou Fazenda’, ou sejam  viagens a cavalo ‘estruturadas por profissionais’ ou mesmo aquelas em que o grupo de cavaleiros tenha que ser auto-suficiente. Seus cavalos, todos para cavalgadas, são das raças campolina, mangalarga e crioula.

 

Os comentários dizem que você não tem preferência por nenhuma das raças de cavalo, é verdade?

Tenho, sim. Em primeiro lugar, pelas raças de cavalo apto a fazer cavalgadas. Ora, esse é meu esporte, cavalgar. Não é disputar corridas, nem enduros, nem prova de tambores, nem concurso de adestramento! Tampouco quero ficar sentado assistindo os cavalos desfilarem montados por outros. Busco raças cavalgadeiras e, dentro das raças, as linhagens e criatórios em que os criadores valorizem essa função no cavalo.

E quais são essas raças?

Há várias raças no mundo que atendem esses objetivos de cavalgar. No Brasil destaco, em ordem de antiguidade, os crioulos, os campeiros, os mangalargas (mineiros e paulistas), os campolinas. São raças de características e belezas diferentes, raças de andamentos originados em terrenos muito diversos. Raças de rusticidade, de velocidade de andamentos diferentes, além de pelagens comuns e outras típicas daquela raça. Nas raças, uns apreciam as ancas, outros as cabeças, terceiros as caudas. Há até os que escolhem pelas orelhas!!!

O que é importante então?

Depende do que se pretende. Se a busca é de um cavalo com função, um cavalo que não seja apenas um ‘bibelot’, o importante é que, no criatório específico em cada raça, o conjunto de critérios de seleção (genéticos, morfológicos, temperamento e de andamento) e os parâmetros de preparação estejam adequados à função que você deseja para o animal. No caso, cavalgar.

O que o terreno tem a ver com os andamentos e as raças?

Vamos tomar um exemplo clássico: o cavalo árabe é ‘duro’, criticam alguns. Mas no areião do deserto onde se desenvolveu a raça, essa dureza não é sentida. Além do mais, naquele terreno de areia super fofa, não há como se andar a não ser erguendo muito as patas !!! Daí seu andamento. Daí sua resistência e sua excelente performance em enduros. Mas, vá fazer uma cavalgada com ele!

E o Cavalo Campolina?

A característica histórica e natural do Cavalo Campolina é cavalgar. O campolina é estradeiro por excelência, desenvolvido que foi por cavaleiros para chegarem rápida e comodamente de uma fazenda a outra nas estradinhas de terra que ligavam as fazendas de café em Minas Gerais, sem prejuízo das necessidades de seu trabalho no campo. Com seu andamento marchado, seja marcha diagonalizada, de centro ou lateralizada, tornou-se, na atualidade, uma ótima alternativa para as pessoas que privilegiam os  passeios a cavalo e as cavalgadas.

Porque você escolheu o Haras do Mosteiro para deixar seu Cavalo Campolina?

Conheci o Luis Augusto na Nacional do Campolina em Belo Horizonte, anos atrás. A aproximação se deu por me dizerem que ele era um criador de Cavalo Campolina dedicado a fazer cavalgadas e na época eu estava Diretor de Cavalgadas da ABCCC ‘garimpando’ criadores de Cavalo Campolina funcional. Tive minhas dúvidas, no início, mas depois de convidá-lo para uma cavalgada de tres dias, de Tiradentes a Entre Rio de Minas, e dele ter se destacado com seus campolinas que levara com seu grupo de amigos, quis conhecer o Haras do Mosteiro. Gostei do que vi, e fiquei.

Qual sua percepção atual?

De lá até hoje só vejo aumentar sua dedicação e foco visando a funcionalidade dos animais do Haras. Sei que é um trabalho lento. Tem requerido re-adequações de cruzamentos genéticos, modificação na doma e na iniciação, requereu uma revisão gerencial, e, acima de tudo, a formação de equipe motivada, tecnicamente preparada e pró-ativa. Percebo que isso Luis Augusto vem implementando e liderando com sua visão e sua ação empreendedora.

Última pergunta: e o Cavalo de Cavalgada?

Cavalo capaz de sair e cavalgar em grupo, ou solitário. Pronto para se montar parado. Ter andar firme e seguro, no plano, nas subidas e nas descidas. Saber trilhar, atravessar riachos, laguinhos e charcos. Saber chegar para se abrir porteiras. Ser disciplinado, disposto e ter vontade de andar (os lerdos, linfáticos, deixa-se para as crianças passear). Ter um andamento equilibrado e constante (seja diagonal ou lateral), capaz de cavalgar horas com o cavaleiro sentindo-se confortável em seu lombo. Os cavalos desequilibrados, os baldosos, os irregulares, os maldosos, os trotões, que puxem charrete, façam corrida, ou que sirvam os rodeios! *



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